Carta ao Salomão

Um presente para o Tocantins

24/11/2014 15h12 | Atualizado em: 24/11/2014 15h29

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Por: Ricardo Abalém Jr.

Amigo Salomão, o fim do ano se aproxima e o clima de Natal já começa a nos envolver. As avenidas de Palmas estão belas. A prefeitura instalou uma decoração natalina jamais vista por aqui. Um verdadeiro espetáculo de cores que chama a atenção dos palmenses e visitantes. Meu filho quando viu disse “papai, é a cidade do Avatar...”. As pessoas param pra filmar e fotografar e teve até gente levando uns bonequinhos do Papai Noel pra casa, mas o Amastha já deu logo o grito... deja la muñeca allí... (rsrs).
Vamos adentrar dezembro com sentimentos que nos movem entre a esperança e a tristeza. Tristeza ao nos depararmos com o rio de lamas de corrupção em nosso sistema público, como o escândalo na Petrobras, que assustou até a imprensa internacional. E ao mesmo tempo esperança, pois jamais se puniu com veemência essas atrocidades como agora. A corrupção existe há décadas e já foi muito mais forte, porém, os governos encobriam e a Polícia Federal não tinha autonomia como tem hoje. As providências estão sendo tomadas e isso é exemplo de Democracia. Tem muita gente confundindo democracia
Por: Ricardo Abalém Jr.
ganha um senador (Donizete, amigo pessoal do ex-presidente Lula) e o Tocantins pode ser muito beneficiado com essa jogada. Se você estivesse aqui meu amigo, certamente iria publicar uma matéria especial fazendo uma análise das oportunidades do Tocantins nos campos politíco e econômico com essa representação. O Marcelo Miranda deve estar só sorrisos e com a passagem reservada pra posse.
Não obstante a importância da representação na Câmara e no Senado, que tem nos garantido muitos recursos para a execução das grandes obras que transformaram a realidade do nosso estado, uma representação direta no Executivo pode ser muito mais ágil e render frutos nunca colhidos. E vem num momento que o estado realmente precisa.
O Tocantins está passando por dificuldades financeiras devido a uma série de fatores, que vão de seu crescimento acelerado à adoção involuntária de problemas regionais oriundos especialmente das regiões limítrofes dos estados do Pará, Piauí e Maranhão. Conquistamos há 26 anos a autonomia política, mas caminhamos a passos lentos em direção
com honestidade. Democracia é um regime de governo e honestidade uma qualidade que deveria nortear todos os seres humanos.
Lendo um artigo publicado no UOL essa semana, fiquei surpreso com a declaração de um empresário. Ele diz que nunca viu negócios na Petrobras sem propina e o pior, ele afirma que atualmente o percentual é menor do que se pagava há alguns anos atrás. É mole?
Em meio aos escândalos nacionais e as dificuldades vividas pelos tocantinenses, com uma transição difícil para quem deixa e temerária para quem assume o Governo do Estado, o povo busca uma pontinha de esperança pra se agarrar, afinal somos o País dos que não desistem. Como Deus é brasileiro, não poderia esquecer o seu filho caçula, e o Tocantins recebeu na última semana um presente de fim de ano: a confirmação, ainda que em “off”, de que a senadora Katia Abreu será mesmo ministra da Agricultura no governo Dilma Rousseff. O convite teria sido formalizado pela presidente durante um almoço em sua residência e aceito de pronto pela senadora.
Resultado: o PMDB ocupa um Ministério chave, o PT
à autonomia econômica. Somos totalmente dependentes do poder público. Somente a geração de emprego e renda pode dar a verdadeira autonomia almejada pelo povo e isso só será possível com a industrialização. Temos muito potencial para o agronegócio. E é aí que entram Kátia e o Ministério.
Goiás se desenvolveu muito quando o Iris Rezende ocupou essa mesma pasta no governo José Sarney (1986 a 1990). A agroindústria ganhou corpo e engordou sua fatia no PIB naquele estado.
Katia Abreu como ministra pode ir além. Quem percorrer o Brasil de norte a sul, certamente vai encontrar um sindicato rural com uma foto dela estampada na parede. Como presidente da CNA, a senadora tem portas abertas em todos os seguimentos do agronegócio e agora, como ministra de Estado, vai ampliar, e muito, seu poder político.
Mestre Salomão, o PMDB continua sendo o maior partido político do Brasil. Possui lideranças expressivas, porém vive acéfalo desde a morte do Dr. Ulisses Guimarães. Sem a presunção de comparar o Estadista à senadora, é importante ressaltar que Katia é articulada, forte e trabalhadora. Vai fazer uma grande gestão e se destacar nacionalmente. Se ela conseguir agradar aos dois “setores” do partido e abrandar o fogo amigo, muita coisa boa pode acontecer para o Tocantins num futuro breve. E o seu voo no espaço aéreo nacional será diretamente proporcional ao resultado de sua habilidade política à frente do Ministério da Agricultura.
Acredito que Deus nos permite a oportunidade de fazer o bem. O livre arbítrio permite escolher entre aproveitar essa oportunidade ou não. Sucesso à futura ministra.
Continue na paz de Deus meu amigo, um forte abraço.